PARABÉNS,ZÉ !

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Querido Pai, meu adorado Zé Jacinto, meu Rei Mago, que vieste lá da longínqua Messejana para me dares como  presente, talvez ouro, incenso ou mirra, sei lá,  à tua querida Maria dos Remédios, e no nosso querido Gavião, juntamente com a irmã Luisa, constituíres a tua sagrada família, longe da família que te abandonou, aqui estou para te dar um enorme beijo de parabéns por mais um aniversário. Sim, estás e não estás connosco, quer dizer, à medida que se aproxima o tempo do reencontro vejo-te e sinto-te com mais claridade dentro de mim e nem outra coisa poderia ser, já que, se saí de dentro de ti, verdadeiramente nunca estivemos separados.

Agora compreendes, muito melhor do que eu, o que te quero dizer e mesmo que ainda persista em dizer para quantos dos que não te conheceram que o teu espírito paira sobre o Vale das Árvores em homenagem às mil e uma hortas que levantaste do chão de silvas e rochedos das tantas terras por onde passámos, às vezes, querido Pai, sinto saudades de uma palavra tua, mesmo que fosse para dizer, não faças isso, deixa que eu é que faço, está quieto Tozé, não te sujes…

Diz-me lá, olhos nos olhos, sim, não te importes que eu sei do que falo, dez anos depois não achas que o Vale está outro, tu que não o conheceste quando estavas entre nós mas que agora o conheces por inteiro? Sim, estou a ouvir-te dizer que podia estar melhor, que eu já podia ter aprendido mais alguma coisita, tudo bem, é certo que o Outono e, sobretudo, as geadas do Inverno entram nele e fragilizam-no com uma facilidade. Andámos quase dez dias sem lá pôr os pés por causa deste chuvoso Natal mas, como viste, fomos fazer-lhe umas festinhas no passado domingo… Não quero roubar-te mais tempo… tontice, vês como ainda te sinto presente, o tempo todo que tinhas para descansar, antes que entrasses pela noite a cuidar do pão para toda a aldeia… mas olha, este ano, não te safas, vais mesmo ter que ajudar, entende-te com os teus Amigos! Estamos sózinhos e vamos ter de aprender a podar as árvores e as videiras. Vê se arranjas algum do teu tempo … (conta-me, aqui só entre nós, como te dás com esse Tempo Todo Agora?!)

Pai, o que os anos nos fazem quando fazemos anos.

Um beijo, também, à Mãe, a tua querida Maria José.

Beijos de todos nós.

antónio colaço

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