Publicado por: animo30 | 6 de Fevereiro de 2009

CHEGOU O CARTEIRO

carteiro11

Chegaram à caixa dos comentários mas com demasiado peso para ali ficarem a marinar!

 

 João Pebble

  Este blog chegou-me ao domicílio, via email, e só ainda o tresli em diagonal, diga-se, há menos de meia hora.

Uma sensação estranha, confesso. Provavelmente será um blog global, já que nele vislumbro laivos – poucos – do passado, mas sempre presentes: o rosto (imutável) de Piero Fornazetti, esse, parece ser a sua imagem de marca, i. e., uma espécie de hino aos Bill Gates de 79 que já tinham inventado o windows, antes mesmo destas janelas serem comercializáveis…

(Ironias..)

O resto, será presente: espiritualidade (?), néons, “dawns” e “dusks”, cozido à portuguesa, enfim, um verdadeiro sarapatel?

Confesso que ainda não habituei quer ao seu grafismo, quer à multiplicidade temática que o mesmo encerra, o que me perturba de certa maneira e que me obriga a questionar o meu inevitável declínio…

Só pode!

(boas continuações)

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MRN

Caro,

Gostei da prosa ( “Mágico”, copiada em anexo) mas há por ali demasiada cedência e cúnfia à divindade, que, de resto, se deve estar borrifando para as angústias do escriba tuga.

Aos crentes, senhor, deixai-os em paz. Basta-lhes a ilusão de que um dia verão a recompensa para aquilo de que por cá se privaram, o cumprir da esperança que, tão ciosos da ‘única verdade’, acalentaram e que será afinal … “pó, cinza e nada”. Cruel desapontamento.

Não sou muito de leit-motivs mas lá vai este de trazer por casa: Valores sim, deuses, não, obrigado!

Nota:  O que me surpreende é que um douto Lobo Antunes grafe ‘descompustura’ e ‘azelha’, termos que não constam do meu (nem do teu, creio) léxico.

Será gralha traiçoeira do tipógrafo?

Abraço.

M

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NOTAS

Caríssimo João Pebble, antes de mais, saudamos o teu regresso mesmo que treslidos em diagonal.

Aceitamos comprar, desde já, o teu “inevitável declínio”, se possível em directo, quer dizer, pela escrita. Temos aqui, ainda, as agulhas e alguma lã que deixaste, à espera do teu saudoso “vício circular do crochet”.Como só tu sabes. Muito melhor, aliás, do que o Fornasetti.Despacha-te, vem ajudar-nos neste “sarapatel”!

Meu caro MRN

Estamos em paz, sobretudo porque já não vivemos “na ilusão” dos pequenos “deuses” e sim na cada vez maior convicção de que a bondade de Deus nos ajuda a superar todo o “pó, cinza e nada” para que durante algum tempo deixámos que nos conduzissem. Um destes dias experimentarás a Paz em que tal nos deixa. E depois, é assim, estamos, como tu, na luta pela afirmação de valores, jamais “ciosos pela única verdade”. Verás que por aqui há lugar para a partilha de todas as dúvidas, mesmo sabendo que Deus, Único, é, em cada dia, descoberto de mil maneiras e não se sente menos diminuído por isso.

É por isso que a carta de Lobo Antunes é um raro momento de magia. Deixamos-te um pedacinho da primeira entrevista dada por Lobo Antunes após a operação. Mas … porque o Deus de que te falamos , felizmente, não nos deixa em Paz ( quer dizer, esta Paz de tão pacífica só pode ser  Algo para ser partilhado!) voltaremos a falar!

antónio colaço

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Qual é a sua atitude perante Deus?

Existe um velho provérbio húngaro que diz que na cova do lobo não há ateus, por isso julgo que não existe quem não acredite. O nada nãoexiste na física ou na biologia e quando se lêem os grandes físicos entende-se como eram homens profundamente crentes, que chegarama Deus através da física e da matemática e que falavam de Deus deuma maneira fascinante. A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso, cada vez mais, não no sentido desta ou daquela igreja mas porque me parece que a ideia de Deus é óbvia.

Cada vez mais o é para mim. É um bocado como diz Einstein, quando afirma que Deus não joga aos dados.

Como é essa relação?

É claro que me zango com Deus porque permite o sofrimento, mas talvez os seus desígnios tenham tais profundezas que não atinjo. O sofrimento sempre me foi incompreensível porque nascemos para a alegria. A minha atitude em relação à religião é essa, não estou a falar de igrejas, estou a falar em relação a Deus e não acredito quando aspessoas dizem que são agnósticas ou ateias. Não estou a dizer que a pessoa não esteja a ser sincera, mas dentro dela e em qualquer ponto há algo… Uma vez perguntaram ao Hemingway se acreditava em Deus e a resposta foi às vezes, à noite.

Então à noite também acredita?

Acredito sempre mas a dúvida e pôr constantemente em questão é próprio da fé. Muitas vezes pergunto-me será que existe? É óbvio que sim.

Recentemente foram reveladas as dúvidas de madre Teresa sobre a

sua própria fé…

Todos os teólogos as tiveram, Sto. Ambrósio dizia “não busco compreender para crer, creio para compreender”; Sto. Agostinho esteve cheio de dúvidas toda a vida e o Sto. António… O mesmo se passa em relação aos livros, pergunto-me será que isto está bem feito? Não é esta palavra ainda, será que é possível fazer aquilo que eu quero fazer ou será demasiado ambicioso?

 

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