A propósito da exposição “Abril, Ânimos Mil”, recebi de Emerenciano esta agradável surpresa da sua lavra criativa. Muito obrigado meu caro. Se o Emerenciano não fosse já um nome consagrado das nossas artes plásticas, teria muito gosto em recomendá-lo a uma editora livreira da nossa praça que eu cá sei. Mas como, felizmente, não só não precisa como, ainda, faz o favor de colaborar, sem complexos, ou deslumbramentos bacocos com este “jovem” artista plástico em “início de carreira”, estamos conversados.
Já agora, um pouco de história. Quando dei por mim a deixar de privilegiar uma certa componente figurativa dos meus trabalhos, a escrita (na foto um trabalho do início dos anos 80), a sua componente “qualigráfica”, gestual, pouco a pouco, começou a tomar conta de tudo quanto me saía. E quando o jornalismo ficou para trás, esses escritos – essa escripintura, como bem classifica Emerenciano – como que assumiram o papel dos velhinhos “linguados”, os modernos caracteres de hoje, as mensagens outras dos dias de hoje, ao ponto de, um certo dia, numa das anteriores exposições alguém dizer, “oh!deixa um bocadinho para a gente conseguir ler”!
Foi então que um velho amigo, professor de educação visual, me mostrou um livro sobre Emerenciano. Um certo pudor me invadiu, como quem diz, “oh! afinal a escrita também é importante para este. E agora, que fazer?!” Tal veio agudizar uma questão que ao tempo se me colocava: evitava ir ao cinema porque achava que um dia também realizaria os meus filmes e como queria ser um realizador original não podia ver o que os out….
Ingenuidades! A verdade é que a minha auto-estima superou a revelação. Ou seja, estava a fazer aquilo que gostava e jamais largaria. Hoje, esse lado gestual permanece e no dia 16 de Abril figurativo, gestual, surrealismo e tudo e tudo subirão ao Chaido.
Obrigado, outra vez, Emerenciano, pelo privilégio do seu desinteressado companheirismo.
antónio colaço