Publicado por: animo30 | 6 de Agosto de 2009

MESSEJANA.15 DE AGOSTO.16 H CAPELA DOS SANTOS REIS.”PERTO DO PRINCÍPIO”

aljustrelfinal3ab

 

Está tudo dito!

A ânimo em ritmo de férias, sim, mas a trabalhar para que a homenagem ao meu querido e saudoso Pai, no próximo dia 15 de Agosto, possa estar à altura do grande homem que José Jacinto, o Zé Padeiro, foi!

Um obrigado à Câmara de Aljustrel e à Junta de Freguesia de Messejana, na pessoa dos seus presidentes agradecendo a todos os que tornaram possível a concretização deste sonho antigo.

Adeus, Zé! Até mais logo!

PERTO DO PRINCÍPIO

Aljustrel, Messejana, há mais de meio século que me bailam nas caiadas ruelas da memória os nomes destas longínquas terras que o meu querido Pai, de quando em vez, entre uma indisfarçável saudade e uma contida amargura, convocava para as familiares conversas da casa térrea do Largo do Espírito Santo na altoalentejana e distante vila de Gavião que o acolhera.

Como costumo dizer, não vivo para pintar, pinto porque vivo. E porque estou vivo, mais de meio século, depois, peregrinei pela Messejana que o viu nascer, sem a sua companhia, sim, mas com o privilégio da mais que adivinhada eternidade. Mais uma vez senti-me, como noutras ocasiões, muito perto do Princípio. É certo que partiu sem termos tido tempo de lá voltarmos os dois, toda a sua família, como sonhávamos. Apenas soube de uma infância ausente e de anos de grande carência, que, sem grandes entusiasmos, de vez em quando nos relatava.

Mas sei, sobretudo, que para o final não adivinhado dos seus dias, alimentava esse grande desejo de um regresso de cabeça levantada .

Pai, andarilho de mil trilhos, por entre os mais recônditos lugarejos altoalentejanos, beirões e ribatejanos, sei que querias regressar nem que fosse por umas horas, com toda a tua tribo. Para comermos as popias que um dia trouxeste, no regresso daquela aventura em motoreta sem mudanças. ..Como o David Lynch adoraria ter-te conhecido mais à tua Historia Real (The Straight Story, 1999). 

Pai, aqui do alto desta pequena colina, bem encostado ao torreão medieval, à sua ruína, os pés bem assentes na terra que daqui levei para te consagrar, proclamo aos quatro cantos da terra que te viu peregrinar: hoje, Pai, como tu, somos todos de Messejana.

És Eterno, Pai, porque foste sempre tão terno. Obrigado por esta aprendizagem de lugares e gentes que em ti bebi mesmo quando tal significou adormecer ao colo da Mãe Maria José, noite dentro, na camioneta dos “reboliços”, a caminho de mais uma terra, a caminho de conhecer novos amigos, deixando para trás outros que mal tivera tempo de conhecer. Sim, sei agora que era assim que procuravas o melhor para nós. Mesmo que, tempos mais tarde, regressássemos ao sítio de partida. Foi nesse ir e vir, nessa itinerante sobrevivência, que em parte nos habituamos a não sofrer tanto com o que não se tem sabendo que nos tínhamos a nós como adquirido e supremo bem. Tudo para perceber, hoje, com acrescida clarividência, que o ser é mais reconfortante do que o ter. Foi nesse ir e vir que aprendi o teu incrível amor pela terra que te levava, em cada sítio que pousávamos, a desbravar silvedos e matagais para nos servires à mesa os legumes essenciais. Foi nesse ir e vir que aprendi contigo a acrescentar mais vida à vida de padeiro que levavas. Sim, foste padeiro mas também o carpinteiro dos bancos e mesas que não tínhamos, o sapateiro que nos conservava as desgastadas meias-solas  por mais alguns anos, mas, também, e, sobretudo, o grande animador das mil e umas tantas conversas entre gente habitualmente calada e que só por ti esperava para lhes desatares os nós da voz que em si traziam silenciada. Pai, com que saudade ainda me sinto por não ter desfilado contigo, pelas ruas de Cardigos, essa outra terra-mãe a que invariavelmente regressavas, na carnavalesca orquestra que, no silêncio da beiroa “aloja”, peça a peça, construíste pela picassiana reconversão de canas, latas, palmeiras, em pífaros, cornetas e mil tambores, a que juntaste trajos com seus rigores!

Pai, com as tintas escorrendo pelas mãos, fiz das minhas mais recentes madrugadas, uma tímida aproximação às tuas sempre tão cansadas mãos, domando a farinha, enrolando o pão, que a todos, pela manhãzinha, nos asseguravas. Não foi canseira, Pai, e, sim, uma nobre missão: há muito que queria dizer-te que lá em casa, todos temos a tua Messejana no nosso coração. Anda, Pai, vem daí. Dá-me a tua mão!.

pai1abC

 

 

 

 

 

 

 

 

Obrigado, Zé Jacinto (o primeiro a contar da direita). Eu Sinto-te.

 antónio colaço

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